15/07/2016| CATEGORIA:

Sobre a Jennifer Aniston

151007-jennifer-aniston-mbm_f8d9da133d1c610e6f74da6378714832.nbcnews-fp-1200-800

Oi, oi, oi!

Se você estava meio distraída e perdeu a polêmica da semana, não te preocupa, que eu atualizo:

Jennifer Aniston (amada-eterna-Rachel-sou-#TeamJen-forever), cansada de tanta gente inventar nela uma gravidez que não existe, tirar fotos suas dando zoom na barriga, falar do corpo dela, do casamento dela (Ui! Como eles falaram disso!), do envelhecimento dela etc. etc. etc, escreveu uma carta-desabafo, que foi publicada pela Internet afora. Versão original, em inglês, aqui.

Ela fala tanta coisa linda e certa e lúcida e triste, que vale a pena mesmo ler tudo na íntegra. Mas, o ponto em que eu quero tocar hoje é o papel da mídia nessa história. E mídia inclui, obviamente, o meu papel como blogueira e o de todas as blogueiras (instabloggers, youtubers, digital influencers etc.) do mundo todo.

Quem produz conteúdo tem uma responsabilidade muito maior do que, inicialmente, pode imaginar. Eu tenho leitoras de 5 anos de idade, leitoras solteiras, casadas, mães, mães jovens, mães de cachorro, mães de gato,senhoras sem filhos, avós com rugas, jovens com rugas, plus size, magrelinhas, solteiras convictas, casadas infelizes (e felizes!), executivas focadas na carreira, donas-de-casa focadas na carreira etc. etc. etc. Fora todas as combinações existentes destes “rótulos” ao mesmo tempo, né?

Enfim, são MULHERES. Mulheres plurais, que devem se amar da forma como são, com os objetivos de vida que escolheram de forma autônoma – sem se espelhar em obrigatoriedades impostas por ninguém. Ninguém.

Pô, Rê, mas é difícil né? Difícil não ser influenciado pelas modelos magérrimas da revista de moda; pelas “Becky With The Good Hair” do Instagram; pelas “10 Dicas para Não Ficar Solteira” do blog.

Ser humano aprende com o exemplo, com referências. Com a mãe, o pai. Somos seres que nascem com um tiquinho só de instinto enquanto, o resto, é aprendizagem. Aprendemos que devemos ser femininas (!). Que devemos ter filhos (!). Que devemos ser vaidosas (!). Que devemos usar maquiagem (!). Mas não maquiagem em excesso, tá? (!)

São tantas obrigações! Tantas algemas! Tanta prisão.

Mas jogar esta responsabilidade da escolha na mão do indivíduo sem problematizar o papel dos grandes influenciadores da Mídia é uma baita de uma… sacanagem (não tem palavra melhor para este momento).

A gente leva anos e anos trabalhando nosso autoconhecimento pra conseguir fazer escolhas autônomas e respeitar nossa essência. Como esperar de uma criança que ela saiba julgar a capa de uma revista de fofoca? Como esperar de uma adolescente que ela consiga criticar, de forma madura, os valores que a televisão transmite?

E os blogs também entram neste canal de influência. E, eu, como blogueira, acredito que seja minha obrigação tentar falar para tod@s que me acompanham que ser mulher não é ser só algumas coisas. Ser mulher não é ser objeto. Ser mulher não é fazer o que se espera de uma mulher. Ser mulher é ser uma pessoa. Complexa. Cheia de sonhos. Vontades. Expectativas. Neuras. Dificuldades. E que não é o seu peso que te define. Nem a aliança na mão esquerda. Nem a conta bancária. Nem a profissão. Nem o bairro onde mora. Nem a maternidade.

Portanto, blogueiras deste mundão – sejam vocês do “tamanho” que forem – por favor, pensem nisso. Vocês querem contribuir para a construção de um mundo onde as mulheres são objetos e massacradas por um mundo de imposições e julgamentos, ou um mundo onde somos todas livres para fazermos escolhas lúcidas e responsáveis, e vivermos nossa vida como nosso coração manda?

E você, leitora, quer contribuir para um mundo livre? Não se identifica com certas imposições e padrões longe da sua realidade e do que você quer para si? Vai aí a dica: valorize blogs que reforcem uma mensagem bacana de liberdade de escolha para as mulheres. Que mostrem mulheres reais e, principalmente, que não te digam QUEM você deve ser.

Porque a Jen tem o direito de envelhecer. De não gerar filhos. De ter rugas. De engordar. E você, também.

Abaixo, vai um vídeo da Luana Piovani  – que também arrasou no depoimento.

Deixem sua opinião!

Até o próximo post!

CONTE PRAZAMIGAS!
elasporelasblog

8 Comentários

  • Manu Cardoso says:

    Rê, sua linda!! Disse tudo! Concordo com você que devemos prestigiar as blogueiras que respeitam a diversidade, principalmente as que faltam sobre isso!! Bj

  • Thaís Madeira says:

    Rê, super concordo com você e com Luana Piovani! E eu sei bem o que é não querer ter filho em um mundo que diz que mulher tem que querer. Sei o que é ir contra uma maioria. E o pior, é que as pessoas fingem que respeitam o outro, tá aí uma verdade que a Piovani disse – hoje vamos falar positivamente desse assunto, amanhã vamos impor a ditadura da beleza de forma “sutil”!
    Super bju!!!

  • Emmeline Jamily says:

    Três mulheres inteligentes: Você que trouxe o assunto em pauta; a Jennifer por sua postura e sua atitude em repassar as lindas palavras que disse; e a Luana Piovani por usar sua “fama” para opinar, argumentar, criticar em favor de um assunto, enquanto muitas se escondem para não prejudicar sua carreira. Tudo que falaram é verdade, a sociedade te “obriga” ou ilude que para ser feliz é preciso casar, ter filhos, ter o melhor carro, usar as melhores roupas, viajar sempre… e os sentimentos? Muitas pessoas “bem-sucedidas” tiram sua própria vida. Mas porque? Talvez porque achavam que a felicidade estava em ter e não ser.

  • Caciane says:

    Rê,por isso que sigo blog que só me acrescenta,que tenha conteúdo.
    Não sei pq a sociedade impõe que toda mulher é “obrigada” ter filhos.
    Só quem passa por isso sabe realmente como é conviver com cobranças,disso,daquilo.
    Bjussss.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *